Dupont e Dupont: existe mercado Linux?



Pondo de parte as questões existenciais acerca dos modelos de negócio, uma das questões bem reais que nos deparamos é: existe um mercado Linux / “open source”?

A dúvida inicial, mais ou menos ingénua, é todavia pertinente.

Isto porque se verificarmos a face mais visível da SuSE, Red Hat ou Caixa Mágica ela é gratuita. Foruns, software e documentação podem-se geralmente aceder sem custo ou restrição. Sobre isto o irmão Dupont afirma que o “open source é bom”.

Mas se a existência de mercado for verificada pelas transacções entre quem necessita de software, serviços ou formação em “open source” e quem o fornece, então certamente que existe tal mercado. A IDC, em Setembro de 2005, identifica que a nível mundial este mercado valerá 35,7 mil milhões em 2008 com um crescimento de 26% ao ano. Estes valores envolvem serviços profissionais, formação e suporte que resolvem problemas concretos das empresas, ajudam-nas a criar valor e a reduzir custos. É o segundo irmão Dupont que garante, sobre uma realidade de mercado IT, que o “open source é bom”.

As barreiras à entrada de Linux, Apache ou Tomcat nas organizações portuguesas não é diferente de outras tecnologias. Apenas necessitam de provar que são uma alternativa técnica / económica viável e serem apresentadas por um fornecedor credível que possa apoiar a sua integração.

Este mercado IT, o do segundo irmão Dupont, tem e terá várias fases.

A fase inicial compreendeu a introdução de open source em nichos específicos como sistemas embebidos, universidades e centros de investigação.

Esta fase terminou em 2000 e foi substituída por uma nova em que Linux, Apache, OpenOffice, entre outros, foram introduzidos transversalmente em organizações que não recorreram a apoio externo para a integração dos mesmos na sua infra-estrutura IT. Por um lado, porque as empresas fornecedoras de soluções não foram suficientemente “sensuais” a apresentar a sua mais valia. Por outro lado, porque se julgou que a utilização de software open source deveria ser algo “asséptico”, sem lugar para facturação externa à organização, sem trocas monetárias.

Em Portugal estamos no término dessa fase, com um ligeiro atraso temporal em relação a outros países, e começamos a lidar com a próxima fase.

Neste terceiro estado, as organizações reconhecem que não podem, nem devem, ser especialistas em todas as áreas do open source e recorrem a quem tem esses conhecimentos e competências. Quem possa incorporar as mais valias de software com este modelo e resolva os seus problemas de forma eficiente.

O evento Linux 2006, pela quarta vez organizado pela Caixa Mágica, Sybase e ADETTI, colocará na mesa esta perspectiva. Fazer procurement de soluções open source e escolher a melhor.

Pela Caixa Mágica pretendemos apresentar a nossa visão. A visão de que apesar dos dois Dupont terem afirmações semelhantes, eles têm abordagens diferentes.